Entrevistas
ENTREVISTA COM CINDY LESSA E GERALDO JORDÃO

Presidente e Conselheiro do Instituto Rio 
O Instituto Rio, criado no final dos anos 90, é a primeira organização a utilizar o modelo de Fundações Comunitárias no Brasil.
A proposta do Instituto, além de defender e promover o acesso aos direitos básicos - educação, saúde, segurança — é promover o protagonismo das comunidades, alavancando seus recursos, envolvendo os diversos atores locais, construindo um patrimônio comum.
Como toda fundação comunitária, o Instituto Rio tem uma área de atuação determinada: a Zona Oeste do Rio de Janeiro. “A região foi escolhida porque algumas pessoas envolvidas na fundação do Instituto Rio haviam trabalhado na Zona Oeste e perceberam que existiam lá muitas organizações sem fins de lucro que faziam um trabalho de desenvolvimento comunitário muito bom, mas com dificuldades de recursos. Alem do mais, a Zona Oeste tinha um potencial de investidores sociais (empresas, industrias, indivíduos) grande”, explica Cindy Lessa, Presidente do Instituto Rio.
A instituição tem recebido apoio de algumas organizações internacionais, entre elas a Fundação Ford, Avina e a Fundação Interamericana. Estes recursos permitem estudos de viabilidade, implantação embrionária de uma organização e uma pequena estrutura operacional, um programa inicial de doação e de capacitação. “Além destes recursos, o Instituto Rio tem recebido doações em dinheiro de indivíduos e outros tipos de doações e trabalho voluntário de pessoas físicas. Estamos ampliando nossos esforços de captação de recursos de empresas locais e de pessoas físicas” acrescenta Cindy.
Além de primeira fundação comunitária do país, o Instituto Rio também saiu na frente na criação do primeiro fundo permanente do Brasil, o Fundo Comunitário Vera Pacheco Jordão.
A iniciativa partiu do empresário Geraldo Jordão, proprietário da Editora Sextante que, em 2005, criou o Fundo Vera Pacheco Jordão (o nome é uma homenagem à mãe de Geraldo) por meio da doação de uma quantia que está aplicada pelo Instituto Rio. O comitê gestor que administra este fundo foi indicado pelo próprio Geraldo Jordão e é comandado por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. A idéia do fundo é conseguir um capital constante de recursos que serão destinados ao financiamento dos projetos sociais selecionados pelo Instituto Rio.
"O Fundo Vera Pacheco Jordão ainda é o único no país, mas esperamos que outros empresários e (ou) pessoas físicas criem novos fundos, ou colaborem para o incremento deste que já existe. Assim, será possível multiplicar os recursos para o investimento social” diz Geraldo Jordão. Qualquer pessoa pode fazer uma doação para o Fundo Vera Pacheco Jordão, as informações podem ser obtidas no site do Instituto.
“Quarenta e um projetos de organizações sociais da Zona Oeste já receberam apoio financeiro do Instituto Rio. Outras tantas mais se beneficiaram dos programas de capacitação que são oferecidos pelo Instituto”, informa Cindy Lessa.
Ela explica ainda que o processo de seleção de organizações a serem beneficiadas começa com o preenchimento de um roteiro (disponível no site), e seguido por uma etapa de pré-seleção que envolve visitas, reuniões e trocas de informações. Finalmente, o conselho do Instituto Rio, junto com a equipe técnica seleciona os projetos a serem apoiados. Ao selecionar os projetos, avalia-se a capacidade da organização de realizar o projeto proposto e o impacto do projeto nos beneficiários.
Matéria publicada no Portal do Voluntário
ENTREVISTA COM JURAJ MESIK

Banco Mundial
Fundação Comunitária - plataforma sólida de desenvolvimento local
A filantropia é uma das mais antigas formas de participação dos cidadãos. A doação de grandes somas de recursos para projetos sociais por proprietários de grandes fortunas é comum em países ricos. Mas existem outras iniciativas que possibilitam a participação de pessoas comuns. Conheça as Fundações Comunitárias: o modelo filantrópico de maior crescimento nos últimos dez anos no mundo inteiro.
Por definição, a fundação comunitária é uma organização sem fins lucrativos, sustentada por doações, criada pela e para a população de uma determinada comunidade com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e que permite que a população local contribua para seu próprio futuro. Novidade no Brasil, este modelo é quase centenário - a primeira FC foi criada em 1914, nos Estados Unidos - e hoje está presente em mais de 40 países.
O relatório de 2005 da WINGS (Worlwilde Initiatives for Grantmaker Support) aponta a existência de 1.175 Fundações Comunitárias em todo mundo.
De acordo com o Dr. Juraj Mesik, especialista sênior em fundações comunitárias (FC) do Banco Mundial, estas são as principais características das FC.
• São doadoras de recursos
• Têm missão ampla, aberta e flexível
• Possuem comunidade de atuação geograficamente definida
• Contam com uma extensa lista de doadores
• São administradas por uma Diretoria que reflete a Comunidade.
• Criam doações, elemento de perpetualidade.
Uma combinação das seis características é o que diferencia a fundação comunitária de outras fundações.
No entanto, a principal característica da FC é constituir fundos permanentes, um capital comunitário de investimento em projetos sociais. Os recursos para estes fundos são captados entre as pessoas da própria comunidade ou da sociedade como um todo. “O que as faz tão diferentes de outras fundações financiadoras – fundações privadas e fundações corporativas em particular – é que as FC são sustentadas por vários doadores de uma comunidade, não somente por uma pessoa rica, uma família ou uma empresa”, explica Dr. Mesik. Este maior número de doadores é uma das razões da sustentabilidade das FC.
Dr. Mesik explica que este é um dos principais fatores da sustentabilidade das FC, seu capital endowment – um fundo de capital permanente que se renova e que beneficia a comunidade para sempre. É a quantidade de recursos mobilizados que não são gastos imediatamente nos projetos. Estes recursos constituem os fundos permanentes, que são aplicados no mercado por profissionais, como qualquer investimento financeiro. Os rendimentos obtidos com a aplicação são usados para financiar os projetos sociais selecionados pelas FC.
Os benefícios para os doadores também são grandes: fazer doações por meio da FC significa que doar localmente, causando um impacto duradouro para a comunidade. É uma forma conveniente, simples e flexível de doação e uma ótima oportunidade de mostrar solidariedade para com a sua comunidade local. Além da possibilidade de acompanhar de perto a aplicação dos recursos no desenvolvimento dos projetos sociais. “Com a FC você não precisa ser um bilionário como Bill Gates ou Rockfeller para se tornar um filantropo”, lembra o Dr. Mesik.
Matéria publicada no Portal do Voluntário
ARMÍNIO FRAGA - DEPOIMENTO

Gestor do Fundo Vera Pacheco Jordão
Sinto-me prestigiado por ter sido convidado pelo Geraldo jordão a participar do Instituto Rio, que capitalizou o primeiro fundo permanente do país. Acredito que o Brasil não vai conseguir seus problemas sociais sem uma ampla ação da sociedade civil. Para que isso ocorra, com o máximo de alavancagem é preciso que aqueles que têm recursos doem aos que não têm. A crianção do fundo permanente é um bom exemplo de como o capital pode ser posto para trabalhar. Eu diria aos empresários e empreendedores que, em primeiro lugar, se informem. É preciso entender o quanto vale cada real doado a projetos sociais. A grande maioria vai concluir que, investindo em bons projetos, cada real vai muito longe. E não tem preço o bom sentimento de ajudar aos outros.
ENTREVISTA COM CINDY LESSA

Presidente do Instituto Rio 
Instituto Rio: O que é exatamente uma Fundação Comunitária?
Cindy: É um modelo específico de fundação que aporta recursos sustentáveis para uma determinada comunidade. Essa modalidade de fundação começou nos EUA em 1914. Agora são mais de 400 nos EUA e outras 100 no Canadá. A idéia está se espalhando pela Europa. No México existem 20 Fundações Comunitárias e há esforços para a implantação em regiões da África, Ásia e Oceania.
Instituto Rio: Por que a Zona Oeste do Rio de Janeiro?
Cindy: Uma Fundação Comunitária exige a demarcação de uma área geográfica manuseável. Quanto mais delimitada a região, mais você pode responder pelas necessidades específicas identificadas. A Zona Oeste é uma das áreas mais pobres do Rio de Janeiro, com deficiências na infra-estrutura social. Possui muitas organizações de base que não recebem apoio adequado.
Instituto Rio: Qual a sua expectativa diante do pioneirismo do Instituto Rio, que é a primeira Fundação Comunitária do Brasil?
Cindy: Continuar trabalhando para criar Fundos Permanentes tendo em vista a melhoria da qualidade de vida na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trabalhamos para provar a relevância e a viabilidade do conceito de Fundação Comunitária no Brasil apontando os impactos das nossas ações na região atendida.
Instituto Rio: Qual a contrapartida para o empresário que quiser fazer um investimento social através do Instituto Rio?
Cindy: A empresa tem dois interesses a considerar: o primeiro é resolver um problema social que afeta suas atividades. O segundo é mostrar aos seus consumidores e parceiros que é uma empresa consciente e socialmente responsável. O Instituto Rio recebe, aplica e investe os recursos do empresário e (ou) da empresa na comunidade indicada pelo doador e aponta o impacto do investimento realizado.
Instituto Rio: O que é o Fundo Permanente?
Cindy: O Fundo Permanente é a mudança de paradigma da Fundação Comunitária. É um recurso que vai se multiplicar ao longo da vida e estar disponível para as comunidades de forma permanente. Não queremos apagar incêndios, mas criar toda uma rede de bombeiros capaz de apagar qualquer fogueira com toda tranqüilidade. O Fundo Permanente se constitui com recursos que são geridos de forma responsável por instituições financeiras idôneas. Desse Fundo sai um percentual determinado pelo doador a ser investido em projetos sociais.
Instituto Rio: Como é feita a seleção de projetos?
Cindy: A seleção é feita por uma equipe técnica auxiliada por consultores. Organizações e projetos são prospectados na Zona Oeste e avaliados em diversos aspectos. A Organização que solicita o apoio do Instituto Rio deve demonstrar capacidade de absorver e gerenciar o recurso. A Fundação Comunitária repassa recursos. Além disso, oferece cursos de capacitação para que as Organizações aprendam a manejar sua própria verba.
Instituto Rio: Quais são as perspectivas da Cindy Lessa, enquanto presidente do Instituto Rio?
Cindy: Já temos mais de 40 projetos apoiados. Capacitamos 40 lideranças da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Criamos com isso uma rede de interlocutores na área social daquela região. Criamos em 2005 o primeiro fundo permanente com uma generosa doação feita pelo empresário Geraldo Jordão Pereira e temos grandes perspectivas de investimentos por parte de empresas, empresarios, indivíduos e outras fundações. Então temos aí ótimas perspectivas. |
|